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Affichage des articles du 2016
Testamento

O que não tenho o desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros - perdi-os...
Tive amores - esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

Manuel Bandeira
DEVANT L'OCÉAN BLÊME

Sous le ciel pluvieux, noyé de brumes sales, Devant l'océan blême, assis sur un îlot, Seul, loin de tout, je songe au clapotis du flot Dans le concert hurlant des mourantes rafales.
Crinière échevelée, ainsi que des cavales, Les vagues en tordant arrivent au galop Et croulent à mes pieds avec de longs sanglots Qu'emporte la tourmente aux haleines brutales.
Partout le grand ciel gris, le brouillard et la mer, Rien que l'affolement des vents balayant l'air. Plus d'heures, plus d'humains, et solitaire, morne,
Je reste là, perdu dans l'horizon lointain Et songe que l'espace est sans borne, sans borne, Et que le temps n'aura jamais... jamais de fin. 

Jules Laforgue